quinta-feira, 8 de setembro de 2011

08 de setembro de 2011, os 399 anos


Imagens, fantasmas, uma cidade e sua imagem. O aniversário que se aproxima (ainda não é este!) traz com ele uma crise de identidade coletiva, sendo a cidade esse organismo de mil olhos, bocas e passos correndo pelas ruas, veias, rugas. As nossas (assim o rosto da cidade tem o nosso como uma célula) estão bem a mostra, esgarçadas em um tempo abandonado. 
Mas São Luís é bem encantadora e nos faz lamentar pelo o que foi (já foi?) ou não é, o que pode ser, o que será, enfim, qualquer tempo verbal para um local onde mesmo o tempo histórico é difícil de definir, se é que precisamos de categorias. Hoje é aniversário da cidade e existe um blues no canto da sala, o que também é uma ilusão, pois o que prevalece é o clima de feriado estendido (Independência, Aniversário da Cidade, enforca a sexta, sábado e domingo).

Faz tempo que procuro as imagens desta cidade como um mosaico trêmulo e agora vejo tantas delas surgirem, padronizadas ou não. "Parabéns, São Luís!", uma "homenagem" de Edison Lobão, foi talvez a mais caricata. Traz uma mensagem de louvor ao patrimônio sob a imagem de uma outra cidade. A foto de pouca definição divide com a face do senador e sua postura monstruosa o constrangimento diante do cartaz.

Entre homenagem e revolta, a ilha continua parada no assobio mítico da tal cobra, o falso oroboros. É noite de feriado e há uma tensão que corre os caminhos vazios, só com olhos de gatos ou outras chamas. Parece ser uma imagem que vemos de Alcântara a noite, um silêncio que escutamos do outro lado do Boqueirão. Ou algum zumbido de festa, suor, festa.

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